Saturday, December 23, 2006

Cliente do Itaú é morto por segurança dentro de agência


Foto: Agencia Globo
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Rio - O que era para ser uma simples ida ao banco terminou em tragédia para o microempresário Jonas Eduardo Santos de Souza, 34 anos, no início da tarde. Ele foi morto com um tiro no peito disparado por Natalício de Souza Marins, segurança do Itaú da Rua Nilo Peçanha, no Centro, do qual a vítima era cliente há pelo menos 10 anos. O vigilante atirou em Jonas durante discussão que começou porque o microempresário ficou preso na porta giratória. Natalício foi levado à 5ª DP (Lapa), onde depôs e foi liberado. Ele responderá por homicídio doloso, mas aguardará o julgamento em liberdade.

Segundo o depoimento do vigia e de três funcionários do banco, entre eles o gerente, Jonas teria se irritado quando a porta giratória travou. Ele retirou os objetos metálicos dos bolsos, mas teria recusado-se a tirar o cinto. O segurança só liberou sua entrada depois que o gerente pediu a Jonas que mostrasse o cartão do Itaú comprovando que era correntista. Ao entrar, Jonas teria ido em direção ao vigilante, xingando. Depois de levar um chute e um soco, Natalício deu um tiro no peito de Jonas, que morreu na hora.

OUTRA VERSÃO

A versão dada ao delegado pelos funcionários do banco não foi a mesma relatada por testemunhas. Quem estava na fila para entrar na agência não confirmou a ocorrência de luta corporal. Segundo o empresário Alexandre Knoclsh, que esperava logo atrás da vítima, Jonas deixou tudo o que tinha na porta giratória. “Quando ele entrou, os dois discutiram, um apontou o dedo para a cara do outro, o segurança se exaltou e atirou.”

A promotora de vendas Rosa Maria de Souza também disse não ter visto briga. Cliente da agência, afirmou que Natalício era agressivo. “Ele exigia que as pessoas tirassem tudo da bolsa. Isso revoltava a todos.”

O crime revoltou quem estava no local. A liberação de Natalício deixou a família da vítima indignada. “Esse é o País que nós vivemos. Enquanto mãe rouba pote de manteiga e é condenada, o assassino de trabalhador não fica preso um dia”, disse o mecânico Jezué Santos de Souza, 41, irmão de Jonas.


O Dia Online, 23.12.2006
http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_73575.asp

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Na verdade, verdade, morreu por ser Negro. Nao tenham
dúvidas disso. Está havendo um genocídio de jovens negros
no Brasil, esse crime faz parte dessa operacao!!!! - Ras Adauto
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Enquanto um cliente leva tiro....

Felipe Sáles

O jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, de 34 anos, foi morto com um tiro no peito pelo segurança do banco Itaú, Natalício de Souza Marins, depois da vítima reclamar por ter ficado preso na porta da agência, na Avenida Rio Branco, no Centro. Amigos e parentes de Jonas acusam o segurança de racismo. Natalício foi solto no mesmo dia porque, segundo a polícia, ele teria se entregado, chamado o socorro e esperado a chegada dos policiais.

Jonas foi barrado na porta giratória por cinco vezes até conseguir entrar na agência. Segundo testemunhas que estavam atrás dele no momento do crime, Jonas foi obrigado a tirar todos os objetos do bolso e se irritou quando o segurança pediu para que tirasse também o cinto. O gerente interferiu e autorizou a entrada do cliente, que então foi tirar satisfações com o segurança. Os dois teriam brigado e, segundo o gerente - única testemunha ouvida ontem pela polícia - Jonas teria agredido o segurança com um soco e um chute. Segundo Jezué Santos de Souza, irmão da vítima, o crime aconteceu por rixa antiga entre os dois.

- Todos conheciam Jonas e o segurança, que era famoso por sua truculência. Apesar de negro, ele era também racista - acusa.

Natalício, que saiu da agência sem estar algemado, foi indiciado por homicídio doloso e prestou depoimento durante toda a tarde na delegacia. Na semana que vem, a polícia vai pedir as fitas no banco, consideradas cruciais para a resolução do caso. Para o delegado adjunto, Mário Arruda, o crime não foi considerado flagrante porque Natalício aguardou a chegada do socorro e da polícia.

- Não pode ser considerado apresentação espontânea porque ele saiu com os policiais. É uma situação absurda - reclama a advogada da família da vítima, Maísa Evangelista.

O corpo de Jonas demorou pelo menos seis horas para ser retirado da agência. Ele trabalhava pagando contas para terceiros e e freqüentava aquela agência há cerca de 10 anos.

Na 5ª DP (Mem de Sá), onde o caso foi registrado, diversos advogados do banco e da Protege - empresa de segurança terceirizada pelo banco - acompanhavam o depoimento. Representantes da Secretaria Estadual de Justiça e Defesa do Consumidor também estiveram presente. Segundo Nayt Júnior, coordenador executivo da Secretaria Adjunta de Políticas Públicas Contra a Discriminação Racial, o banco Itaú já responde por três ações de racismo.

- Segundo as reclamações da Secretaria de Defesa do Consumidor, 62% dos casos de pessoas presas na porta de banco são negras. Mas é a primeira vez que vejo um caso desses terminar em morto - diz.

Em nota, o banco Itaú lamentou o incidente considerando a situação como "completamente imprevisível", e se dispondo a prestar assistência às famílias dos envolvidos e às autoridades.

JB Online, 23.12.2006

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